quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Desvaneios e esquecimentos

Acordo de manhã e começo o dia a bebericar o meu café. Se todos os dias fossem assim, como o conforto de um café com canela! A casa está fria, não quero ficar aqui. Saio para a rua, as lojas não me interessam, nas suas construções daquilo que acham que nós devíamos de ser! Lembram-me a doce infância em que achávamos que os outros eram donos das nossas opiniões…

Baixo a cabeça e olho para as minhas unhas, apercebendo-me de que tenho verniz, estão pintadas de vermelho. Estranho dissabor, este da falta de memória! Sem dar conta e ainda cabisbaixa, vejo que estou à porta de uma Igreja. O arroz e as pétalas desfareladas no chão chamaram a minha atenção. Algo me puxa para o seu interior, algo energético e subtil.

O seu ar branco e aberto convidam-me a sentar e a ficar. É diferente, é um espaço com luz, não é um espaço triste que nos faz sentir pequenos, é um espaço grande que nos amplifica o corpo. Esqueço o mundo lá fora e deixo-me ficar. Afinal de contas, o que é que eu ia fazer mesmo?

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Comboio para o futuro

Sabes a que horas é o comboio para o futuro?

Passado com quem mais gosto, o tempo nunca é um problema, meu amigo! Mas lamento informar-te que esse comboio parte sempre no dia seguinte, ou seja, amanhã! Por isso, meu amigo, de nada te serve esperar por amanhã! Pois quando o amanhã for hoje, o comboio partirá amanhã! De nada serve ficares zangado, meu caro amigo! Nem vale de muito esperares na estação, de braços cruzados! Acredito que tenhas muita companhia na estação, mas para quem espera eternamente, até a companhia dos outros cansa!

Mas nada temas meu amigo! O futuro, é já amanhã!

sábado, 10 de dezembro de 2011

Amanhã? Amanhã!


Escrevi a palavra amanhã e meti-a num bolso. Afinal de contas, isto de já se ser crescido tem destas vantagens! Não há imposições, fretes ou barretes! Não há chumbadas, empecilhos ou pessoas chateadas! Eu faço o meu hoje e assim, sei o que quero deixar para amanhã... Ou depois de amanhã... Ou depois de depois de depois...

Já não há fobias, nem teimas, nem medos, a agenda rola ao meu sabor! Não vou ao desbarato e não desbarato o meu tempo! Faço o que quero, rasgo, apago e rescrevo o calendário! Só queria também poder re-escrever as estações do ano...


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quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Elogio fúnebre a uma gata




Quando chegaste eras tão mais pequena que os teus irmãos que foste coroada de Misérias. O nome era uma brincadeira, mas a tua saúde sempre foi um caso sério. Depois de vários sustos, de inúmeras idas ao veterinário e banhos de mimo, foste recuperando, embora mantendo o teu ar frágil. Longas foram as noites em que moravas dentro de casa e duras foram sempre as manhãs em que eu abria a tua porta a medo, para ver se ainda estavas lá.


Talvez aproveitando a fragilidade, foste apelidada de manhosa ou gata esperta. Esse miado frágil, meigo e acompanhado de uns olhinhos doces semicerrados faziam-te alcançar quase tudo o que querias. Até mesmo o teu amigo Shorty te dava lugar na casota, o cão mais gato, que eu acredito seriamente que estava casado contigo.


O teu corpo franzido nunca permitiu ser casa de gatinhos, por isso não deixas descendências, coisa rara numa gata não de rua, mas na rua. Ainda assim, com o teu peso pluma foste muito namoradeira, não penses que não sei! E fizeste bem, afinal de contas continuavas a ser uma gata.


Quando vim embora ainda pensei em trazer-te comigo, mas como é que se pede a uma gata habituada à terra batida, ao sol nos bigodes, para se fechar num apartamento? Como é que poderias querer deixar os teus amigos, gatos e cão, deixar a relva verde onde caminhavas patinha ante patinha? E como deixar aquela palmeira para onde subias em direcção ao céu, numa manobra espectacular que fazia crer que eras uma gata normal e forte? Não podia fazer isso, por isso deixei-te ficar.


Penso que terás sido feliz. Espero que sim. Nunca deixamos de pensar que podíamos ter feito mais. Foi o que foi. Obrigada. Principalmente pelas noites em que dormias aos meus pés e me aquecias a alma.


Até sempre Misé.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Carta a Djé Djé, ou uma separação ficcional

Queria dizer-te que os olhos tristes são verdes e são azuis, são da cor do oceano que nos separa. A distância é longa e as cartas que trocamos não cortam nas milhas náuticas. Pudesse eu nadar até ti e acredita que já estava com os pés na areia, pronta para mergulhar.

Dizes-me que o tempo passa rápido, mas o tempo não cura a saudade, apenas assombra a distância e me fere o olhar, de não te ver. As mãos ardem por não te tocarem, o coração suspira porque sabe que ainda não é hora de te ter por perto. O corpo... E o corpo...

Resta-me ser paciente, ou então virar o tabuleiro, gritar "rebenta a bolha!" e voar para perto de ti. Mas sei que tenho de ser paciente, pois um dia o jogo ficará a meu favor.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

(In)fância


A doce inocência da infância, como me recordo dela! Criar e viver em mundos imaginários... Olhar para as nuvens e ver mais do manchas... Era como ver o mundo com uns óculos especiais. Quando crescemos perdemos esses óculos, as lentes especiais que nos permitiam ver o mundo com tamanha inocência e veracidade.

Mas sabem um segredo? Enquanto adultos ainda nos é permitido colocar esses óculos... O problema é, sabem o caminho para os encontrar, dentro de vocês?



Imagem: http://sonobea.wordpress.com/2011/05/01/14-watch-a-film-a-week-1143/

Just smile!


And open your heart to the day that begins! Even if it snows, warm up inside yourself and be the one you want for your day!




Imagem: http://milaenessie.blogspot.com/2011_05_01_archive.html