terça-feira, 18 de março de 2014

Endireitar

"Para endireitar o torto,
Deves começar por algo mais difícil:
Endireitar-te a ti mesmo."

Fonte: "Os ensinamentos do Buda" de Jack Kornfield

Resta saber se alguma vez ficamos em ângulo recto...

quinta-feira, 13 de março de 2014

Are we there yet?


Não quero parecer o burro amigo do Shrek, mas... Já posso ir buscar as chanatas??
 
Imagem: http://manudesign1.blogspot.pt/2011/02/propagandas-antigas-adooooorooooo.html

terça-feira, 11 de março de 2014

Ideias?



O problema é quando ninguém quer ideias novas porque o que rende é dividir as ideias da normalização e sermos todos iguais. Durante muito tempo considerei que a normalidade era quase que imposta de forma institucional. Com o capitalismo, o marketing, todos fomos a correr comprar carros iguais, casas iguais, cabelos iguais, enfim... Todos desejávamos ter uma vida dita normal e isso era para mim como que uma psicologia colectiva saída das mentes brilhantes presentes nas organizações. Até aqui tudo bem. Ou não, mas enfim, vamos ao que interessa. Pensava que a normalidade era vista e aceite pelas pessoas por uma questão de se sentirem inseridas, e continuo a pensar assim. Mas de facto, e nos últimos tempos, tenho concluído que é tudo muito mais assustador e profundo do que parece.

As pessoas não sabem viver fora de um registo daquilo que é considerado de normalidade numa sociedade. Têm medo. E se alguém ousar fazer diferente, esse alguém vem perturbar o silêncio incómodo mas confortável em que todos vivem. Sim, existem novas ideias, vamos todos ler sobre Feng-shui e fazer umas aulas de yoga de uma forma desconectada, mas na essência a mudança não existe, a tomada de consciência não existe, porque vivem todos com medo.

E o medo paraliza. Existem vários tópicos, como por exemplo o emprego. Só um maluco mudaria de emprego neste momento. Quem, no seu perfeito juízo e com um bom emprego arriscaria a trabalhar em algo diferente e a ganhar menos? O quê, por gostar de fazer outra coisa? Um ultraje... Outro exemplo, duvidar de um médico, ui, isso é que não está mesmo no cardápio...

E viver fora da normalidade é acenar aos outros dizendo que o outro lado existe e que é possível arriscar. E isto abala qualquer pessoa com palas na cara. E por isso somos nós os maus da fita, porque ousámos passar uma fronteira para a insanidade e descontrolo completos.

Percebo que os outros não arrisquem, e entendo que possam pensar que quem o faz é louco. Mas aquilo que me tem afectado é mesmo a ideia de que os outros possam querer interferir na forma como penso e como vejo o mundo. Sei que às vezes parece que venho para aqui zangada, discutir com as teclas, mas de facto gostaria de saber se sou a única no mundo com este tema. A vida é como um buffet gigantesco, mas todos comem o mesmo ingrediente, porque dizem que esse é que é bom para todos. Mas, se somos todos tão diferentes e únicos, porque não poderei eu fazer uma salada? Quem poderá saber o que é melhor para mim?

Imagem: http://www.facebook.com/photo.php?fbid=394737517298001&set=a.162734817164940.27911.129370207168068&type=1&relevant_count=1&ref=nf

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Conselhos, dicas e ideias luminosas

Conforme vou passeando pela vida, vou percebendo cada vez melhor que não devemos fazer julgamentos sobre os outros sem termos passado pelas mesmas situações que julgamos. É como dizem os estrangeiros: não falar sem ter calçado os sapatos do outro e ter andado uns bons metros. Bem, melhor é mesmo não existir julgamento, ponto. Vamos então trocar as palavras, em vez de julgamento vou referir o seguinte: cada vez percebo melhor que não devemos opinar sobre situações sobre as quais não passámos.

Falar do outro é fácil. Dar conselhos, ideias, dicas, é tão fácil que é de graça. Estes conselhos não pedem licença, não batem à porta, e mesmo que não sejam bem vindos, eles entram à força sem bater, sentam-se no nosso sofá, metem os pés em cima da mesa e ainda perguntam se o cafézinho demora muito. São invasivos, ponto. E eu não gosto.

Lidar com este tipo de situações é uma viagem com altos e baixos e se num dia corre bem e a forma como respondemos se chama assertividade, no outro chama-se irritação e leva a outra coisa chamada discussão. Quando são um pouco, vá, aguerridos como eu, existem limites que estamos constantemente a demonstrar aos outros. Claro que por vezes apetece sacar de um giz e fazer uma linha no chão para ver se o outro percebe. Ainda assim, colocar limites é um trabalho activo que exige muito de nós: exige atenção constante e uma energia pacificadora que dê a uma invasão uma resposta assertiva.

E o que é ser assertivo? É expor, de forma afirmativa e não arrogante, aquilo que queremos transmitir ao outro. É o ténue equilíbrio entre o "opá, não digas isso" e o "dizes isso outra vez e..." Será o "não deves dizer isso sobre algo que desconheces e para o qual não tens qualquer posição criativa de resposta". Sei lá, qualquer coisa assim, louca.

Como nem sempre é possível ser assertivo, por vezes a vontade é a de mostrar o middle finger e mandar toda a gente obrar. É aquele momento em que os cabelinhos da nuca ficam eriçados com tamanha desfaçatez relativamente ao que nos é transmitido. E para quem insiste, apenas posso referir: se não calçam o 39, não são Ananicas, e não têm a minha vida, então cheguem para lá, que os meus sapatos não vos servem. Mas enfim, resta esperar pelos dias de Buda em que podemos mandar todos passear em paz.

sábado, 25 de janeiro de 2014

E tentar fazer diferente?



Às vezes pensamos que estamos estagnados: o trabalho é uma rotina, a vida familiar sofre sempre dos mesmos males de sempre e a vida social morreu de tédio há uns anos atrás. O movimento é algo difícil e ficar na nossa redoma, na nossa rotina diária parece ser a única forma de sobreviver. Por vezes somos levados a pensar que mais vale manter igual para não abanar muito o barco, já que nunca afundou de vez. 

A questão é que por vezes parece que o barco se vai aguentando nestas águas paradas, mas na verdade, ao não ir a lado algum, vai ganhando peso e afundando muito lentamente. Amargurados naquilo que é expectável na nossa vida, não damos conta de como o barco estagnado no lodo nos vai arrastando para baixo, apesar de ainda acharmos que vemos o horizonte.

Porque não querer mais da vida? Porque não escolher fazer diferente, e tentar soltar algumas amarras? Não digo para colocar um motor potente no barco e arrancar a toda a velocidade. O nosso corpo estagnado podia nem aguentar. Porque não colocar um pequeno remo e fazer um pequeno movimento diferente? Podemos passar a sorrir aos nossos colegas e ver a diferença que isso faz. Telefonar a alguém que não espera o nosso contacto, ou ir dar uma volta a pé por uma rua ainda não visitada. Coisas pequenas constroem grandes transições. E porque não referir aquela frase-cliché: grandes viagens começam com pequenos passos?

E se não apetecer porque não forçar? Forçar um movimento pequeno não deve ser traumático ou doloroso. Experimente, sinta o que é possível para si neste momento. Se não é possível ir fazer uma corrida, consegue ir andar um pouco a pé? Quando criar novos amigos parece um cabo das tormentas, falar com os velhos é uma possibilidade? Fale consigo, veja o que é possível fazer por si, hoje!

Imagem: http://optimismoemconstrucao.blogspot.pt/2013/05/para-refletir.html

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Hoje é assim

Imagem: http://pt.gdefon.com/download/Flocos-de-neve_frgil_gelo/335088/1920x1200

sábado, 18 de janeiro de 2014

Perdida e achada





Estou a ver o Jornal da Noite da SIC e está a dar os Perdidos e Achados. Para quem não sabe, trata-se de uma rubrica que retoma temas antigos nos dias de hoje, ou procura a actualidade de alguém com uma história marcante no passado. O tema de hoje é a noite. Antigamente, dizem eles, a malta nova ia para as discotecas e agora a noite é vivida na rua, num autêntico botelon. Ouvi uns tipos com 19/20 anos a dizer que começaram a sair com 16 e que agora está tudo muito diferente: muita criançada que começa a sair com 14. Que poderei dizer com 32?


O que é certo é que esta rubrica fez-me viajar no tempo, mais que não seja porque é Sábado e eu estou muito satisfeitinha em casa. Abri a porta do Delorean e lá fui eu.

Quando era adolescente era de facto tudo muito diferente. Não apanhei a fase das matinés por vários motivos: não era frequente lá no burgo; se fosse, os meus pais não me iam deixar ir; e parece que no início dois anos 90, a moda da matiné tinha esmorecido.

Vivia perto da praia, a malta gostava era do verão, de bares com cerveja fresca e de encontrar os borrachos bronzeados que tinhamos visto na areia ao longo do dia. E discoteca, havia uma, duas. E todos se conheciam.

Mas a minha vida da night começou mais tarde, pelos 20. E aí já havia boa companhia e mais importante: carro! Ah, carro era a chave para a noite da grande cidade: em pouco tempo estávamos nos locais mais badalados de Lisboa, e todos os fins de semana eram esperados com grande expectativa. O certo é que foram tempos bem engraçados. Foram cerca de 3 anos de histórias engraçadas que envolvem o Reynaldo Gianecchini (himself), um empadão de pimenta e um japonês à porta da casa de banho do lux a gritar-me: "BANZAI!! BANZAI!!!", enquanto fazia uma espécie de vénia... Podia escrever um livro ou fazer uma série de sketches com as histórias que vivi, e acreditem que iria arrancar gargalhadas a uma gárgula de pedra em Notredame.

Agora, nos 30, confesso-me... Não vejo qualquer interesse em ir para um local onde não consigo falar nem ouvir as pessoas à minha volta. Dou preferência a uma boa conversa, a um bom jantar, bem regado e bem acompanhado. Mas nada paga nem apaga as memórias que ficam, as histórias que ainda hoje ganham vida, e a sensação de aproveitamento daquela energia que tomava conta de nós e nos permitia dançar 6, 7 horas seguidas. Lembro-me de tudo com um sorriso, mas foi um momento, uma fase, uma época. Gloriosa, sim! Aproveitei, dancei, diverti-me. E ri enquanto dizia à minha parceira de crime: ai que o sol já nasceu, ai que o sol já nasceu, a caminho de casa, tão depressa quanto possível. Bons tempos, e mais do que isso, boas amizades que ficaram até hoje.

PS: E sim, cheguei a conhecer o Tino de Rans na 24 de Julho. Ah, velhos tempos!

Imagem: http://essencias-fm.blogspot.pt/2013/03/sair-noite.html