quarta-feira, 18 de abril de 2012

Escrever avó

As letras fazem palavras que fazem frutos. Como uma árvore com ramos para cima, o meu papel avança para baixo. Linha após linha, a escrita floreia a minha paisagem, ondula ao vento das minhas vontades. Avanço ao sabor da estação que me rege no momento, seja o calor ou o frio.

Escrevo, reescrevo. Tomo nota. Risco. Saboreio o papel, o meu alimento. Viro a folha, escolho outra caneta. Apresso-me num vermelho de um tom que lembra o baton da minha avó. E vou por aí. A avó. Sim, era como uma árvore. Raizes fixas. Quem eras tu? Quanto de ti está em mim, o que me dizes de ti que sou eu? E ao ver-te, reparo que não usavas baton. Mas vejo a árvore, vejo a origem, o caminho, a dor e o desamor. E a força. Fica a força. E vai-se a vontade...

É esta a escrita que envolve a alma, avança, recua e leva-nos a passados que não existem. Imagens que não o eram. Palavras que não se traduzem em imagens. Fica a imaginação. Fica o tremor no dedo. É o deixar ir e não saber como se vai voltar...

Imagem: http://indulgy.com/post/XKCOyV3SF1/wall-hanging#/do/from/70955957588

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Et's


Estou com a nítida sensação de que não pertenço ao que me rodeia. Serei extra-terrestre ou serei livre?



quarta-feira, 11 de abril de 2012

Chocolate quente

Estes dias frios de primavera fazem-me lembrar chocolate quente e mantas. Ah e sofá! Mas tudo conjugado. Posso acrescentar um livro, um aquecedor e umas bolachinhas, só para enquadrar melhor a cena. Se for leite com café lembra a infância perdida entre canecas e copos de galão. Mas neste filme sou eu que faço o argumento, e para acompanhar fica mesmo bem o chocolate quente.

É todo o conforto que versa contra o frio da rua, se for perto de uma janela, tanto melhor, cortinas abertas. Completamos o cenário do exterior com umas árvores que dançam com o assobio do vento. São tontas estas árvores, o vento às vezes não é muito musical! Mas elas dançam, e de dentro de casa tudo parece bem.

Acrescentemos um gato. Em cima da manta, que está em cima de nós. Aquece os pés e aquece a alma. O livro também aquece a alma, preenche aqueles espaços entre aquelas coisas inúteis que guardamos na nossa mente.

E se depois disto tudo o chocolate está frio, o melhor é levantar e perder o tempo necessário, porque há coisas que merecem ser re-aquecidas!


Imagem: http://lua.weblog.com.pt/arquivo/cat_arte.html

quinta-feira, 5 de abril de 2012

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Dream on, America!


- A América fascina-me - dizia ela, pela voz e pelos olhos, de facto, os olhos brilhavam! - Deve ser dos filmes, - respondi eu! Afinal de contas estamos rodeados pela América, não é verdade?! - Não é nada disso! É claro que as imagens ajudam, mas eu queria sentir, entendes? Sentir a terra, o ambiente, as pessoas! O que sentes com os filmes não é real! - Fiquei pensativo.

Ela não sabia que eu sabia... Mas era um facto que eram os filmes que me levavam a sonhar. A caixinha de surpresas que é a televisão! Foi por isso que deixei de os ver. Se não eram reais, então porque é que provocavam, reacções, emoções reais em mim... Não quis mais. Zanguei-me. Zanguei-me com os meus sonhos. Com os meus profetas a cores e a preto e branco. Isolei-me da fantasia e mais tarde percebi que sem fantasia não anda o mundo. E empedrenida, percebi que tinha de fazer as pazes com a caixinha. E comigo também porque é bom deixar que o sentimento traga a emoção e que esta se enrole com a real veracidade do irreal que vem daquele rectângulo... O sonho, o real, a fantasia e as emoções, tudo embrulhado, um presente de Natal tardio para quem não gosta de surpresas!