"O que deixa as pessoas ansiosas em relação ao futuro é um medo atormentador de o melhor já ter passado ou de uma oportunidade perdida se vir a mostrar decisiva. «O que me escapou» é um tema recorrente de vidas românticas falhadas, aplicando-se igualmente a carreiras falhadas, projectos abandonados e aspirações destruídas. Porém, «o que me escapou» resume-se a mantermo-nos fiéis a uma ideia fixa."
Deepak Chopra, "Reinventar o corpo, descobrir a alma" (página 229)
Tenho muitos livros por ler. Neste momento, com um filho tão pequeno, por mais que consiga encontrar uns minutos para me sentar e ler, o cansaço não o permite. Mas não deixo de folhear os meus "livros por ler", que se resumem a uma pilha na mesa de cabeceira. Esperam pacientemente pelo dia em que são lidos para, finalmente, repousarem numa quase eternidade na estante, guardados por ordem alfabética.
Encontrei este livro de Deepak Chopra no meio da pilha. Como em todos os livros, está lá o meu nome, local, mês e ano de compra. Vejo que o comprei em Tavira, nas férias de verão do ano passado. Quase um ano passou, li tantos outros livros e este ficou ali, no meio da pilha, qual torre de Pisa, não fosse o facto de estarem direitinhos e com as lombadas bem visíveis, um trabalho da minha querida irmã que gosta de ver tudo aprumadinho.
Dizia eu, gosto de folhear os livros e ler uma frase ou um parágrafo ao calhas. E aqui eu encontro o maravilhoso humor do destino, universo, ou como o quiserem chamar. Sempre que faço este exercício livresco, encontro algo que faz todo o sentido em determinado momento. E rio-me, porque de facto, comprei o livro há um ano e agora que o abro sei lá onde, encontro umas frases que me servem como uma luva.
Não é que não soubesse, desde já, o que diz ali em cima, mas por vezes andamos tão distraídos (e acreditem, nunca estive tão distraída dentro da minha própria casa) que não percebemos que certas "frases feitas" que já incorporamos há uns tempos atrás voltam a ganhar validade e a tomar um novo sentido, numa altura diferente e de forma diferente.
E é isto que eu adoro na evolução pessoal. Por mais que já tenhamos aprendido a lição número 1, 2 ou 3, elas voltam a surgir nas nossas vidas. E aqui não creio que haja uma regressão (não defendo a teoria de que podemos regredir na evolução pessoal, acredito em estagnações, ou patamares de escadas, como já falei aqui), mas sim duas coisas: primeiro, uma confirmação, ou seja, uma forma de validar se aprendemos de facto a lição, e ao repetirmos esta "cadeira" validamos não o conhecimento, mas sim a sabedoria que temos sobre o tema; depois acredito que uma lição pode servir de base para outros temas.
Vejamos o exemplo dado por esta frase de Chopra. A ideia base é a mudança, mas também fala sobre o medo do futuro, das decisões e em última instância, da responsabilização sobre a nossa vida. Aqui, a "lição", pode se desdobrar em inúmeras aprendizagens e a diferença sobre o que vamos aprender, creio eu, reside apenas no momento em que vamos receber esse conhecimento, pois dependendo de como somos nesse momento, vamos interpretar de diferentes formas. Se eu tivesse lido esta frase há um ano, se calhar ia para a parte dos relacionamentos, de ter casado recentemente e de planear ser mãe. Neste momento a minha leitura é outra, e apesar da "lição"/frase ser a mesma, a aprendizagem pode ser outra completamente diferente.
E da mesma forma como eu posso interpretar esta frase de forma diferente ao longo do tempo, imaginem a quantidade de interpretações que pode ter, consoante a pessoa que a lê! Claramente que, se não for altura de assumir a mudança e interpretar o que se lê, não existem frases feitas no mundo capazes de mudar. Por isso, acabo por ser bastante crítica quando vejo todas aquelas frases feitas nas redes sociais com uma bela paisagem como pano de fundo. Quando leio essas frases e associo a quem as publica fico um pouco admirada: a pessoa não leu as entrelinhas, ou então a interpretação que faz é a que mais lhe convém...
Por mais frases bonitas e livros fantásticos que existam no mundo, a interpretação desse conhecimento e a sua passagem para uma sabedoria construtiva, com pés e cabeça vai depender da vontade de cada um de mudar e evoluir, e isso, tem um custo: dura a vida toda e uma vez que se dá esse passo, não há como voltar a olhar para trás da mesma forma.
Imagem: http://hazatelierarquitectura.com/2012/06/11/projectos-chave-na-mao/
segunda-feira, 4 de agosto de 2014
sexta-feira, 18 de julho de 2014
Mudar de vida
Há uma música de António Variações que não me sai da cabeça, e é a versão dos Humanos. A letra reza assim:
Muda de vida, se tu não vives satisfeito
Muda de vida, estás sempre a tempo de mudar!
Muda de vida, não deves viver contrafeito
Muda de vida, se a vida em ti é de outro jeito
Ver-te sorrir, eu nunca te vi
E a cantar, eu nunca te ouvi
Será de ti ou pensas que tens que ser assim
Ver-te sorrir eu nunca te vi
E a cantar, eu nunca te ouvi
Será de ti ou pensas que tens que ser assim
Olha que a vida não
Não é nem deve ser
Como um castigo que
Tu terás que viver
Muda de vida se tu não vives satisfeito
Muda de vida, estás sempre a tempo de mudar
Muda de vida, não deves viver contrafeito
Muda de vida, se a vida em ti é de outro jeito
E na minha cabeça reza também uma frase que o Ricky Gervais costuma publicar no facebook às segundas: remember, it's not mondays that suck, it's your life.
E com um cenário de crise onde tudo é impossível e o medo é um bicho papão que nos come vivos a cada pensamento de risco, aqui andamos, a pular entre ideias e "ses" e a permitir que o tempo passe e que nada mude. Temos medo, e esse bicho consome-nos e trava os nossos ideais. Faz-nos duvidar de nós próprios, das nossas capacidades e faz-nos também esquecer as nossas necessidades, os nossos desejos e a vontade de mudar.
Talvez tenha chegado o momento de mudar, arriscar e perseguir sonhos que vivem aprisionados pelo medo. Mas vai daí, e se a vida terminar amanhã? O que é que eu levo? E como posso eu pesar os pratos nestas balanças onde o medo invalida os resultados?
Muda de vida, estás sempre a tempo de mudar!
Muda de vida, não deves viver contrafeito
Muda de vida, se a vida em ti é de outro jeito
Ver-te sorrir, eu nunca te vi
E a cantar, eu nunca te ouvi
Será de ti ou pensas que tens que ser assim
Ver-te sorrir eu nunca te vi
E a cantar, eu nunca te ouvi
Será de ti ou pensas que tens que ser assim
Olha que a vida não
Não é nem deve ser
Como um castigo que
Tu terás que viver
Muda de vida se tu não vives satisfeito
Muda de vida, estás sempre a tempo de mudar
Muda de vida, não deves viver contrafeito
Muda de vida, se a vida em ti é de outro jeito
E na minha cabeça reza também uma frase que o Ricky Gervais costuma publicar no facebook às segundas: remember, it's not mondays that suck, it's your life.
E com um cenário de crise onde tudo é impossível e o medo é um bicho papão que nos come vivos a cada pensamento de risco, aqui andamos, a pular entre ideias e "ses" e a permitir que o tempo passe e que nada mude. Temos medo, e esse bicho consome-nos e trava os nossos ideais. Faz-nos duvidar de nós próprios, das nossas capacidades e faz-nos também esquecer as nossas necessidades, os nossos desejos e a vontade de mudar.
Talvez tenha chegado o momento de mudar, arriscar e perseguir sonhos que vivem aprisionados pelo medo. Mas vai daí, e se a vida terminar amanhã? O que é que eu levo? E como posso eu pesar os pratos nestas balanças onde o medo invalida os resultados?
terça-feira, 24 de junho de 2014
Responsabilidades
Às vezes a minha vida parece uma novela da TVI, apenas acredito que não sou digna da estação de Queluz porque não existem gémeos na minha vida. Todo o processo de estar grávida (e ainda não chegou o P-day) dava para um livro com alguns capítulos consideráveis. Se a isto juntarmos toda uma série de gente descompensada à minha volta e uma médica com uma brevidade de foguetão... As consultas andam pelos 5/10 minutos e as respostas são mais evasivas do que as minhas respostas ao exame de filosofia do 12º ano. A única diferença é que nessa altura era mais certinha e seguia mais à risca o que me diziam. Amén à maturidade, que vai crescendo connosco e que nos permite também ser mais responsáveis por nós. E assim sendo, mesmo que nos digam alhos, nós podemos ir procurar a resposta para bugalhos e assim adaptar para nós a melhor forma de evitar uma grande... alhada.
E por alhada não quero dizer problema ou dificuldade. Por alhada, neste contexto, é ficar no nosso canto, sem tomar proactivamente conta da nossa vida, ou seja, sem tomar a responsabilidade pelas nossas decisões. E cada vez mais acho que é esse o desafio terapêutico de muito boa gente neste país. Sei que parece que apenas venho aqui dar uns bitaites zangados, mas acreditem em mim quando vos digo que escrevo isto sem zanga, mas ainda com alguma frustração. As pessoas vivem na queixa, e eu, já bem redonda, estou sem paciência para a queixa dos outros. Acredito que muito do processo evolutivo passa pela responsabilização das pessoas em relação às suas vidas, à aceitação de que têm um papel central na sua vida e que podem fazer mais por si mesmas, arriscando e indo mais além. Desresponzabilizar-se é ficar longe das teias do medo e da dúvida, e eu entendo isso, mas às vezes é preciso arriscar e mandar abaixo uma parede pois existem janelas que não deixam passar muita luz...
E por alhada não quero dizer problema ou dificuldade. Por alhada, neste contexto, é ficar no nosso canto, sem tomar proactivamente conta da nossa vida, ou seja, sem tomar a responsabilidade pelas nossas decisões. E cada vez mais acho que é esse o desafio terapêutico de muito boa gente neste país. Sei que parece que apenas venho aqui dar uns bitaites zangados, mas acreditem em mim quando vos digo que escrevo isto sem zanga, mas ainda com alguma frustração. As pessoas vivem na queixa, e eu, já bem redonda, estou sem paciência para a queixa dos outros. Acredito que muito do processo evolutivo passa pela responsabilização das pessoas em relação às suas vidas, à aceitação de que têm um papel central na sua vida e que podem fazer mais por si mesmas, arriscando e indo mais além. Desresponzabilizar-se é ficar longe das teias do medo e da dúvida, e eu entendo isso, mas às vezes é preciso arriscar e mandar abaixo uma parede pois existem janelas que não deixam passar muita luz...
quinta-feira, 5 de junho de 2014
Mantra do ano: entregar e confiar.
No outro dia fiz um teste ao meu equilíbrio, mesmo gravidissima, e fiz aqueles exercícios de alongamento em que puxamos o joelho para cima e nos equilibramos com o pé que fica em contacto com o chão. Depois, e sem colocar o pé malabarista no solo, passei-o para trás, dobrando o joelho e deixando o calcanhar tocar o rabiosque. Repeti a proeza com a outra perna. Quem estava comigo ficou impressionado com o meu equilíbrio, pois não pestanejei nem balancei e fiz tudo sem um saltinho para voltar ao sítio. Eu achei o máximo, pois se há coisa que achei que nunca seria, era equilibrista. E hoje percebi: eu tenho mais equilíbrio do que penso. E o meu corpo já o sabe, a mente é que ainda não tinha percebido.
A mente, essa malandra, também sempre achou que eu era super saudável, porque tinha de ser. Simplesmente porque não podia falhar. O corpo sempre acompanhou e sempre fui saudável. Mas sempre pensei, no lado terapêutico da coisa, em que esta vontade de ser saudável seria se calhar forçada pelo lado da mente e que qualquer dia tinha uma surpresa para aprender que as meninas perfeitinhas e bem comportadas também ficam doentes. Doentes à séria. O que aconteceu foi que aprendi que o corpo está bem quando a mente se aquieta, e que a mente se aquieta quando o corpo está bem. O corpo sabia, a mente também, só não sabiam que ambos sabiam, qual novela mexicana.
Ao longo dos últimos meses comprovei que há um tema gigantesco na minha vida: lidar com os outros. E aqui podemos remeter para a questão dos limites, já exposta no Blog; das relações e das expectativas e decepções em relação aos outros. Ora, num momento em que só vemos coisas estranhas a acontecerem, têm sido períodos conturbados. E não falo só de situações pessoais. Falo daquelas pessoas que fazem grandes asneiras na estrada e acham que têm razão; pessoas que cometem crimes e são aplaudidas à chegada ao tribunal; homens que matam as suas mulheres porque têm um sentimento de posse irrevogável; a política, que me desafina; os poderosos porque têm o rei na barriga; e todo um sistema financeiro caquéctico e irrenovável. Tudo isto me afecta no sentido em que mina as minhas visões de futuro. Não sou pessoa de ter grandes sonhos para o futuro, a não ser o de ser feliz. E este, parecendo único e simples engloba muita coisa. Claramente que o que eu resumi acaba por influir e minar a minha ideia de felicidade, mas depois lembrei-me: são tudo factores externos. Aprendi que a nossa ideia de felicidade deve depender apenas das nossas concepções internas, e não do que ocorre no exterior.
São três lições que encaixei hoje. Ou melhor, a primeira encaixei, a segunda vai indo, a terceira tem tempo! Mas há um sumo a retirar destas três frases: devemos confiar mais em nós e na nossa capacidade de conseguir chegar a algum lado, seja esse lado o que for. E já não é a primeira vez este ano que eu percebo que este ano é assim: entregar e confiar.
Imagem: http://pginasdeamor.blogspot.pt/2010/07/alongamento-basico-para-ensaios.html
quinta-feira, 15 de maio de 2014
Futebol Psicossomático
Com a derrota de ontem, vi surgirem, como aliás já é moda, muitos comentários de adeptos de outros clubes que não o Benfica e que eram claramente para vilipendiar o glorioso. Antes de continuar quero apenas esclarecer que não gosto de futebol, mas gosto do Benfica. É uma mística, uma energia familiar, algo que tenho muito orgulho em partilhar com vários elementos da família e que não se explica, sente-se. Para além de ser Benfiquista, não gosto de injustiças nem de ver os jogos (fico enervada, que querem?). Ah, se calhar é melhor também acrescentar que apesar de não gostar de futebol, mas gostar do Benfica, percebo efectivamente um pouco de futebol (sim, sei ver quando há um fora de jogo, acho que isso me eleva a uma connaisseur). E então, quando vejo penaltis não marcados, malta à bulha nas 4 linhas e fora delas, desisto de ver o jogo e vou fazer qualquer outra coisa com melhores energias.
Colocando assim esta breve introdução, venho então falar sobre aquelas pessoas que, sendo adeptos de outros clubes, deliram com as derrotas dos seus adversários, ainda que sejam noutras ligas que não as suas. E aqui também existem Benfiquistas, claro, estas pessoas existem em todo o lado. É como as famílias, ninguém tem uma perfeita.
Na minha opinião terapêutica, vejo de antemão uma pessoa que se alegra com a tristeza dos outros, e isto já poderá dizer muito sobre os seus princípios e o seu modus operandi. De facto, parece-me que existem motivos psicológicos por detrás desta temática que, com um pouco de compaixão, nos pode permitir entender estas pobres almas e, quiçá, perdoar as tonterias que dizem. Aparentemente, a sua sensação de felicidade ou de satisfação prende-se com a insatisfação ou a dor dos outros, algo que até pode parecer meio psicopático. Ou apenas muito triste.
No fundo, esta tentativa de melindrar o outro quando ele está em baixo é não só um acto de cobardia como também uma demonstração de que existe uma enorme tristeza nessa pessoa que acaba por ser catapultada para o exterior numa forma jocosa. E a tristeza, não sei se sabem, mas é a base de muitas sensações de raiva.
Ora aqui reside o nosso busilis: a expressão da raiva não é algo que possa ser feito de forma construtiva na sociedade moderna, e ainda menos na sociedade portuguesa onde se prega o fado e o "come e cala". Assim sendo, como não é possível expressar a raiva que nos assola no dia a dia, seja com gritos, esperneando ou ameaçando alguém de pancada (não fica bem...), vamos engolindo essas sensações. E aqui entra a psicossomatização. Se estas sensações não saem, elas, em forma de energia, vão assolar outras partes do nosso corpo e podem ser encontradas nas pedras na vesícula, problemas de fígado, ou até mesmo num excesso de tensão no maxilar. Neste último podemos ver os seus resultados com a sensilibidade dentária (perdemos o esmalte com a força que fazemos com os dentes) ou com as constantes dores no maxilar de tanta força que fazemos.
Caso o problema seja verbal, ou seja, caso estejamos a viver uma situação em que queremos expressar vocalmente a nossa raiva e não podemos, então os sintomas somáticos podem surgir a nível da garganta. Sim, é aquela sensação de uma bola, que não sobe nem desce. Mas também pode ser dor de garganta, amígdalas inflamadas ou uma constipação que aparece por magia.
Quando se fala de somatização, fala-se também de responsabilidade pela doença que surge. Fomos nós que a criámos. É claro que possivelmente muitos de vocês leram o que escrevi e pensaram que é tudo um monte de treta. E é, de facto, para quem, como bom Português gosta de se desresponsabilizar pelo seu corpo, por si e pelo seu pais, algo que tem sido tão visível.
Por isso, meus caros, quando a vossa equipa perder, deitem isso cá para fora, porque deitar em forma de vilipêndio para os adversários de outras ligas pode ser pior... Pela vossa saúde!
Imagem: http://blogs.estadao.com.br/cristina-padiglione/premiere-futebol-clube-fecha-ano-abaixo-das-metas/
segunda-feira, 12 de maio de 2014
Os cursos de preparação para o parto
Quando cheguei ao segundo trimestre de gravidez, comecei calmamente à procura de cursos de preparação para o parto. Verifiquei alguns pontos em comum, nomeadamente o início, que seria pelas 28/30 semanas e o preço, sempre perto dos 200€. As aulas teriam sempre uma regularidade semanal e as diferenças entre os cursos versavam sobre detalhes relacionados com o conteúdo, a existência de aulas de pós-parto, entre outros.
Entretanto, numa visita à Prenatal (qual é a grávida que não passa lá?), inscrevemo-nos em dois mini-cursos de uma hora cada, completamente gratuitos, um que ocorreu nesta altura, e o segundo aos 7 meses. Devo confessar que não tinha grandes expectativas e fui alegremente bafejada por bons conselhos, embora curtos, que me permitiram pesquisar mais informação, sem medos e já com algumas bases. Tratou-se de um curso básico e breve mas com indicações precisas que me permitiram por exemplo, começar a pensar na mala de maternidade e noutros detalhes que tendencialmente deixamos para mais tarde. Assim a ideia foi-se implantando, com calma e sem stress. E penso que esta foi uma das coisas que gerimos bem: a informação que nos chega. Não é preciso entrar em pânico, temos muitos meses pela frente para ir lendo e procurando a informação mais acertada, sem stress.
Ainda durante o segundo trimestre, surgiu a oportunidade de fazer um curso de preparação para o parto com uma Doula. Este seria num regime intensivo (3 dias inteiros) e num registo diferente, mais associado ao parto humanizado. Lançamo-nos a este curso com bastante vontade e foi de facto revelador. Confesso que também foi muito bom o facto de ter sido cedo, pois isso permitiu encaixar melhor toda a informação que recebemos de jorro em apenas 3 dias.
Tanto eu e o meu marido temos algo que considero uma grande qualidade: ouvimos e lemos várias coisas, digerimos, debatemos os dois e tiramos as nossas conclusões. Desta forma foi possível encontrar o nosso equilíbrio sobre a nossa própria preparação como indivíduos para esse momento transitório e transformador como o parto. Assim sendo, neste curso recebemos muita informação de que não esperávamos, sobre os hospitais, sobre o parto em casa, o parto humanizado, entre outros temas. E fazer este curso não iria inviabilizar a nossa vontade de fazer um curso dito "normal" de preparação para o parto, com uma enfermeira ou fisioterapeuta.
Mas este curso foi o turning point. Foi aqui que começámos a perceber que existe muita informação bipolar, e a par da quantidade de informação, muitas pessoas nos dois extremos da jangada a acenar para os pais grávidos dizendo que o seu lado é o melhor. É claro que quantos mais ficam de pé num dos lados, mais depressa a jangada se afunda... E assim sendo, nós cá gostamos muito de estar no meio, no nosso lugar, com as nossas ideias e bebendo do que há de melhor dos dois lados da barricada.
Demorou algum tempo encaixar a informação dada neste curso: valerá a pena fazer um plano de parto e enviar ao hospital? Será que vou ter sorte com a equipa no dia do parto ou será que me vão vilipendiar de todas as formas possíveis e imaginárias? Não foi fácil, mas foi claramente necessário e possibilitou a abertura de novas portas e a recepção de novos conhecimentos.
Continuei então à procura de um curso de preparação para o parto para complementar com o anterior. E o que me apercebi é que não existe assim tanta oferta quanto isso, e que, de facto, o decréscimo no número de grávidas faz com que existam poucas "turmas" a abrir ou pouca disponibilidade para cursar apenas um casal. Mas como nada acontece por acaso, encontrei um sítio onde o curso é mais barato, é mais perto de casa e é dado a um ou dois casais, sendo que no nosso caso ficámos sozinhos mas felizes. Fomos a poucas aulas, mas gostámos e ao contrário de outros cursos com limitação de horas/aulas, aqui vamos estar acompanhados até ao nascimento.
No final de contas, acho que a melhor preparação é de nós para nós, pois como sabiamente ouvi dizer "80% do parto ocorre entre as orelhas", pelo que a parte mental deve ser domada, e aí várias áreas terapêuticas podem intervir. E se demasiada informação não for demais, aconselho vivamente a fazer terapia neste momento, assim como assistir aos diversos cursos que se fazem, dos mais práticos aos mais profundos. E no fim, e aí será o mais importante, cozinhem tudo e façam um prato ao vosso gosto, que é como quem diz, sejam inteligentes, pensem por vocês e cheguem às vossas conclusões, que devem ser baseadas nas vossas necessidades, respeitando sempre a vossa individualidade.
Entretanto, numa visita à Prenatal (qual é a grávida que não passa lá?), inscrevemo-nos em dois mini-cursos de uma hora cada, completamente gratuitos, um que ocorreu nesta altura, e o segundo aos 7 meses. Devo confessar que não tinha grandes expectativas e fui alegremente bafejada por bons conselhos, embora curtos, que me permitiram pesquisar mais informação, sem medos e já com algumas bases. Tratou-se de um curso básico e breve mas com indicações precisas que me permitiram por exemplo, começar a pensar na mala de maternidade e noutros detalhes que tendencialmente deixamos para mais tarde. Assim a ideia foi-se implantando, com calma e sem stress. E penso que esta foi uma das coisas que gerimos bem: a informação que nos chega. Não é preciso entrar em pânico, temos muitos meses pela frente para ir lendo e procurando a informação mais acertada, sem stress.
Ainda durante o segundo trimestre, surgiu a oportunidade de fazer um curso de preparação para o parto com uma Doula. Este seria num regime intensivo (3 dias inteiros) e num registo diferente, mais associado ao parto humanizado. Lançamo-nos a este curso com bastante vontade e foi de facto revelador. Confesso que também foi muito bom o facto de ter sido cedo, pois isso permitiu encaixar melhor toda a informação que recebemos de jorro em apenas 3 dias.
Tanto eu e o meu marido temos algo que considero uma grande qualidade: ouvimos e lemos várias coisas, digerimos, debatemos os dois e tiramos as nossas conclusões. Desta forma foi possível encontrar o nosso equilíbrio sobre a nossa própria preparação como indivíduos para esse momento transitório e transformador como o parto. Assim sendo, neste curso recebemos muita informação de que não esperávamos, sobre os hospitais, sobre o parto em casa, o parto humanizado, entre outros temas. E fazer este curso não iria inviabilizar a nossa vontade de fazer um curso dito "normal" de preparação para o parto, com uma enfermeira ou fisioterapeuta.
Mas este curso foi o turning point. Foi aqui que começámos a perceber que existe muita informação bipolar, e a par da quantidade de informação, muitas pessoas nos dois extremos da jangada a acenar para os pais grávidos dizendo que o seu lado é o melhor. É claro que quantos mais ficam de pé num dos lados, mais depressa a jangada se afunda... E assim sendo, nós cá gostamos muito de estar no meio, no nosso lugar, com as nossas ideias e bebendo do que há de melhor dos dois lados da barricada.
Demorou algum tempo encaixar a informação dada neste curso: valerá a pena fazer um plano de parto e enviar ao hospital? Será que vou ter sorte com a equipa no dia do parto ou será que me vão vilipendiar de todas as formas possíveis e imaginárias? Não foi fácil, mas foi claramente necessário e possibilitou a abertura de novas portas e a recepção de novos conhecimentos.
Continuei então à procura de um curso de preparação para o parto para complementar com o anterior. E o que me apercebi é que não existe assim tanta oferta quanto isso, e que, de facto, o decréscimo no número de grávidas faz com que existam poucas "turmas" a abrir ou pouca disponibilidade para cursar apenas um casal. Mas como nada acontece por acaso, encontrei um sítio onde o curso é mais barato, é mais perto de casa e é dado a um ou dois casais, sendo que no nosso caso ficámos sozinhos mas felizes. Fomos a poucas aulas, mas gostámos e ao contrário de outros cursos com limitação de horas/aulas, aqui vamos estar acompanhados até ao nascimento.
No final de contas, acho que a melhor preparação é de nós para nós, pois como sabiamente ouvi dizer "80% do parto ocorre entre as orelhas", pelo que a parte mental deve ser domada, e aí várias áreas terapêuticas podem intervir. E se demasiada informação não for demais, aconselho vivamente a fazer terapia neste momento, assim como assistir aos diversos cursos que se fazem, dos mais práticos aos mais profundos. E no fim, e aí será o mais importante, cozinhem tudo e façam um prato ao vosso gosto, que é como quem diz, sejam inteligentes, pensem por vocês e cheguem às vossas conclusões, que devem ser baseadas nas vossas necessidades, respeitando sempre a vossa individualidade.
terça-feira, 6 de maio de 2014
Ser mulher
Diz-se que a sociedade impõe aos meninos que não chorem, que não demonstrem fragilidades e que sejam Homens, com H grande, com capacidade para lidar com a vida de uma forma quase bélica, mas também quase heróica e altruísta (este último, qb).
Dei por mim a pensar nisto e a perceber que está incompleto. Isto também acontece no feminino. Pelo menos, e de forma subtil, foi o que me chegou: tenho de me esforçar sempre para estar a postos para qualquer luta que surja; não posso baixar os braços, tenho de tentar sempre estar entre os melhores; não posso fraquejar e muito menos ser frágil ou desistir.
Não sei se é algo português, se é uma imposição apenas da minha geração, ou talvez da minha área geográfica (teria de fazer uns inquéritos!), mas o que é facto é que a mulher também tem de ser forte. Esta e outras imposições externas, tanto nos homens como nas mulheres, traduz-se numa enorme rigidez,seja ela de movimentos, de emoções, ou de pensamentos condicionados. E com isto andamos todos e todas a neurotizar e a perguntar: porque é que nunca me sinto satisfeito? Porque é que não me sinto plena? A resposta nunca é fácil, e como sempre, é preciso ultrapassar o sintoma e ir à origem.
Com a gravidez, como é óbvio, este tema intensifica-se. Queremos acompanhar a nossa neurose e o corpo não vem connosco. Queremos continuar à mesma velocidade, fazer cinquenta coisas ao mesmo tempo (o cérebro feminino é multi-pista, nunca se esqueçam) e não é humanamente possível. Gravidez não é, efectivamente doença (lá está mais um clichet metido à bruta pela sociedade e que faz com que a grávida não se queixe), mas o estado de graça por vezes não tem nada de engraçado e é necessário saber quando parar ou abrandar.
E com isto tudo, esquecemo-nos do mais importante: não existem duas mulheres iguais e não existem duas gravidezes iguais, logo, a experiência de uma não é, nem pode ser, a experiência da outra. Então, vemo-nos numa encruzilhada: a sociedade diz que temos de ser fortes e aguentar o mais possível, o nosso corpo diz-nos "nem pensar", as nossas emoções ficam todas baralhadas e a mente só complica, com os seus filmes e ideias, histórias e crenças... E foi nesta encruzilhada que me deparei com a frase em cima, parece que de facto nada é por acaso, e surgiu na melhor altura. Temos de tratar de nós, olhar seriamente para a nossa saúde (física e mental) e reflectir bastante sobre estas encruzilhadas da vida. E digo reflectir para avançar, e não mastigar na neurose algo que os nossos dentes já não mordem.
Foto: https://www.facebook.com/HuffPostWomen/photos/a.196854310382630.47501.153213781413350/651692994898757/?type=1
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