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segunda-feira, 27 de junho de 2016

A decisão de ter um filho



A Mãe carrega um filho dentro de si durante nove meses e mais uns pozinhos. Depois de nascerem, os filhos continuam a ser carregados durante uma vida. Não é necessariamente mais fácil, nem mais leve. Os pesos são diferentes e as formas de pesar também. Em alguns casos há um Pai presente que compõe a tríade e completa esta balança, permitindo que o aumento da carga seja motivo de alegria e contemplação, mas também de receios e contendas. A questão é que as famílias não são as mesmas de quando eramos nós os filhos pequenos, e quanto mais para trás andamos, maiores as diferenças que podemos encontrar.

A vida corre rápida. Também as mudanças entre gerações são cada vez mais rápidas e disruptivas. Quantas vezes pensamos e comentamos: quando tinha a idade do meu filho não existiam telemóveis, computadores… E os nossos pais dizem-nos que na altura deles não havia televisão, o homem ainda não tinha ido à Lua e havia fome de comida e de nutrição. Os tempos mudam e os relógios voam.
Muitas coisas se tornaram mais simples, desde o acompanhamento dos partos às fraldas descartáveis. 

Mas será que a decisão de ter um filho também se tornou mais simples? Em 2014, a taxa de natalidade[1] era, de acordo com o Instituto Nacional de Estatística, de 7.9‰. Para estabelecermos uma pequena comparação, em 1981 era quase o dobro: 15.4‰. Esta permilagem refere basicamente quantos bebés nascem por cada mil habitantes e como se pode verificar, o número é muito reduzido.
Para além de se decidir ter filhos cada vez mais tarde, os problemas de fertilidade são cada vez maiores assim como é maior a dificuldade em tomar uma decisão. As relações não têm a mesma estabilidade formal, reforçado pelo aumento do número de divórcios ou de famílias desestruturadas. 

A crise financeira faz temer o futuro e não facilita na hora de tomar a decisão de ter um filho ou repetir a experiência de ter mais filhos. De facto, Portugal não está neste momento a assegurar a substituição de gerações que só ocorre com uma média superior a 2 filhos por casal. Outra motivação que também tem surgido é um sentido de dificuldade em decidir trazer uma criança para um mundo tão desafiante.

Então, como decidir? O lado biológico ajuda: há efetivamente um relógio biológico que toca, tanto nos homens como nas mulheres e que nos urge a manter vivo o nosso ADN. É possível, isso sim, satisfazer a vontade biológica quando, com consciência e assertividade, podemos tomar a decisão firme de sermos pais. É preciso pesar muita coisa, quer na balança, quer na carteira. No entanto e remetendo para o relógio que teima em tocar, quando não queremos ter filhos, não é fácil desligar o alarme de algo que não temos acesso e que reside bem no interior do nosso corpo.

E como respeitar os que não querem ter filhos? Essa é a parte mais simples: respeitando. Alguém que decide não ser pai ou mãe tem esse poder de decisão, tem as suas motivações, das mais superficiais às mais profundas e, creio, nunca poderá ser intitulado de egoísta. Uma vez ouvi uma mulher dizer a outra: “uma mulher só é mulher depois de ser mãe”. Não há comentário mais injusto e errado do que este, principalmente quando é dito a alguém que na altura lutava com dificuldades em engravidar. 

Uma mulher é uma mulher. E pode ser mãe ou não. Como também pode ser costureira, piloto de aviões ou polícia. E é quando nos consciencializarmos que podemos ser tudo que vamos perder este medo de estar no nada.

Decidam em consciência e presença plenas aquilo que é num dado momento o melhor!




[1] A Taxa Bruta de Natalidade refere o número de nados-vivos ocorrido durante um determinado período de tempo, normalmente ano civil, referido à população média desse período.

Foto: Viktor Jakovlev, unsplash.com
Texto originalmente publicado no site Bem me Quero (http://www.bmequero.com/bem-crescer-1/2016/6/12/a-deciso-de-ter-filhos)

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Ah, a maternidade!

O meu filho tem quase 7 meses. Mudar-lhe fraldas é como tentar vestir umas calças a um polvo. Umas calças com 8 pernas, entenda-se. Apesar do meu filho ter menos 6 pernas que um polvo, ao movimentar-se parece ter 8. Mesmo a sério. Sendo inverno acrescentem a esta dinâmica de pernas o facto de ser necessário retirar meias ou collants, calças e ainda desapertar o body. Ah, e a fralda, claro. Não esquecer da fralda: voltar a colocar uma fralda nova é todo um exercício que me permite evitar os ginásios e manter um corpo tonificado.

Sendo menino, cedo somos alertados para o facto de que há todo um show de repuxo, como aquela fonte na Praça da Catalunha em Barcelona onde à noite há um espectáculo de luz e cor. E música. Sim, os meninos fazem xixi para cima da sua própria mãe e pai e há uma envolvente de espectáculo nisso: o grito da surpresa do cuidador (qual soprano), a coreografia de apanhar umas compressas para tentar minimizar o dano e sim, mudas de roupa no meio do show (the show must go on!). Pior é quando já ganhamos confiança e eles deixam de o fazer com frequência: quando acontece, acontece em larga escala. É todo um show que mete a Broadway a um canto. E o miúdo merece um Tony pelo seu desempenho: faz aquilo com naturalidade, seriedade e verdadeiro espírito de actuação.

Nem vamos falar do number two... Acho que já chega ouvir a conversa sobre poos entre as mãezinhas. E sim, antes de ser mãe achava que não ia ter essa conversa. Desenganem-se. O poo passa a fazer parte das anotações diárias relevantes para o estado de espírito do miúdo. Poo e não Pooh, o urso. Ele vai para a avó e no final do dia entram na mesma frase palavras como cocó, sopa e sestas. É assim, a maternidade!

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Ser mãe é...

- Estar a escrever com uma mão porque a outra está a segurar o filho (está meio sentado na perna e apoiado pelo braço que já deixei de sentir há cerca de 10 minutos).
- Ter vontade de rebentar foguetes quando ele adormece um bocado a meio da tarde. Ou então fazer uma festa com o marido com hi-fives silenciosos incluídos porque ele adormeceu (algazarra silenciosa).
- Mudar os nomes dos bonecos e rir sozinha, como por exemplo: chamar ao Winnie the Pooh, Winnie dá bufas.
- Perceber os pequenos gestos que fazem com que o miúdo sossegue, nomeadamente estar por perto quando lavo a loiça: ele gosta do som do esquentador (com isto a conta da água subiu em flecha).
- Tirar o gato da cama dele.
- Andar com o carrinho de bebé na rua e inevitavelmente, fazer os barulhos do motor.
- Ter 4 pares de sapatinhos por estrear, só porque são giros mas não servem para nada.
- Compreender que também existem extremismos no tema da amamentação e tentar sobreviver a isso.
- Ralhar com o gato pela 384ª vez nesta semana por estar a dormir na cama do bebé.
- Ficar efectivamente feliz com o cocó de um bebé.
- Beber descafeínado pela primeira vez na vida.
- Dizer em voz alta e sem vergonhas: O meu reino por uma chucha!!
- Ter com ele uma conversa séria, repetindo os seus "ah-goos".
- Maldizer a esperguiçadeira quando não consegue acalmar o gaiato e achá-la a melhor invenção depois da roda quando o consegue fazer.