sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Fazer por nós

Talvez o gesto mais altruísta seja o "fazer" por nós. Quando trabalhamos o nosso lado mais sombrio criamos espaço para novas emoções, emoções essas mais positivas e mais benéficas para nós e para os outros que nos rodeiam. Ao atingirmos um patamar de tranquilidade podemos assumir uma nova expressão de nós mesmos. Esta nova expressão afectará mais o outro do que querer ajudar de forma forçada.

Para além de que o outro, se estiver numa encruzilhada, não pode nem deve ser forçado a ser ajudado se não estiver em posição de aceitar essa ajuda. É que por vezes não é só uma questão de querer ajuda, por vezes temos de nos levantar pelo nosso próprio pé, ao nosso ritmo e no momento certo. Quando há algo externo a forçar que nos levantemos mais rápido do que devíamos podemos estar a prejudicar os nossos joelhos que ainda não estavam preparados para suportar o peso do nosso corpo. Então, enquanto "ajudantes" devemos aguardar pelo pedido do outro, caso surja, e trabalhar nas nossas próprias dores, pois acredito que influenciamos muito mais quem nos rodeia com um sorriso disponível do que um esgar de impaciência que dita que estamos à espera que o outro nos agarre a mão que nós depois puxamos.

Ser altruísta não é, para mim, estar sempre de mão esticada à espera que alguém a agarre (e assim nos sentimos os heróis do dia). Ser altruísta é estar por perto, fazer o nosso caminho e esticar a mão quando nos é pedido, sem invadir o processo do outro. Não quero com isto dizer que devemos voltar as costas aos outros, mas pensem na diferença entre caminhar lado a lado e dar a mão quando necessário ou estar à frente da pessoa com a mão constantemente estendida: o outro assim não consegue andar porque não saímos da frente dele. Ajudar é também dar espaço para o caminhar do outro. E contagiá-lo com a nossa leveza é mais subtil e encorajador do que um empurrão.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Ah, a maternidade!

O meu filho tem quase 7 meses. Mudar-lhe fraldas é como tentar vestir umas calças a um polvo. Umas calças com 8 pernas, entenda-se. Apesar do meu filho ter menos 6 pernas que um polvo, ao movimentar-se parece ter 8. Mesmo a sério. Sendo inverno acrescentem a esta dinâmica de pernas o facto de ser necessário retirar meias ou collants, calças e ainda desapertar o body. Ah, e a fralda, claro. Não esquecer da fralda: voltar a colocar uma fralda nova é todo um exercício que me permite evitar os ginásios e manter um corpo tonificado.

Sendo menino, cedo somos alertados para o facto de que há todo um show de repuxo, como aquela fonte na Praça da Catalunha em Barcelona onde à noite há um espectáculo de luz e cor. E música. Sim, os meninos fazem xixi para cima da sua própria mãe e pai e há uma envolvente de espectáculo nisso: o grito da surpresa do cuidador (qual soprano), a coreografia de apanhar umas compressas para tentar minimizar o dano e sim, mudas de roupa no meio do show (the show must go on!). Pior é quando já ganhamos confiança e eles deixam de o fazer com frequência: quando acontece, acontece em larga escala. É todo um show que mete a Broadway a um canto. E o miúdo merece um Tony pelo seu desempenho: faz aquilo com naturalidade, seriedade e verdadeiro espírito de actuação.

Nem vamos falar do number two... Acho que já chega ouvir a conversa sobre poos entre as mãezinhas. E sim, antes de ser mãe achava que não ia ter essa conversa. Desenganem-se. O poo passa a fazer parte das anotações diárias relevantes para o estado de espírito do miúdo. Poo e não Pooh, o urso. Ele vai para a avó e no final do dia entram na mesma frase palavras como cocó, sopa e sestas. É assim, a maternidade!

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

She believed she could so she did*


Se antes havia aquela frase "se eu não gostar de mim, quem gostará", hoje é, se eu não confiar em mim, quem vai confiar? Eu acredito em mim. Confio nos meus recursos, seja a minha capacidade de ir correr atrás daquilo que quero, por muito que custe o percurso, ou arriscar, confiando na minha intuição, embora a mente por vezes me atinja em cheio com o medo. É avançar, dar esse passo em frente, mas sem ser quando estamos à beira de um precipício... É saber que andámos uns aninhos a pavimentar o caminho: tiramos as ervas, alisamos o terreno, compramos uma laje bem gira que nos custa os olhos da cara, colocamos no sítio para depois deixar assentar. E mesmo depois disto tudo vamos ficar sentados à entrada deste novo caminho dizendo "ah, ainda não secou. É melhor esperar mais um bocadinho...". Mas sabemos que um dia vamos ter de levantar âncora. É hora de avançar, sem medos porque, caramba, já fizeste o trabalho todo que te permitiu chegar aqui! Avança, é o dia da independência, é o teu dia.

E de facto chegamos a determinados momentos na nossa vida em que temos de nos questionar: eu vivo ou sobrevivo? Não querendo apenas sobreviver, com bastante dose de coragem, acreditei em mim. E dei esse passo. E este é o primeiro passo. Veremos o que acontece a seguir.

*ela acreditou que conseguia, e então conseguiu.

Imagem: http://artfulexpression.blogspot.pt/2011/07/she-believed-she-could-so-she-did.html

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Mudar

Há algum tempo atrás fixei a frase "as pessoas não mudam, revelam-se". Foi na fase da revolta e foi fácil entendê-la e aderir à sua intenção. O facto de uma pessoa mudar ou não, seja o seu comportamento, atitudes, forma de lidar com os outros, sempre obteve algum fascínio por parte do ser humano. Nas relações pessoais queremos sempre entrar no entendimento do outro e, quem sabe, moldá-lo para aquilo que queremos ou precisamos. Quando as pessoas têm tendência para nos magoar, elas revelam-se, neste caso, revelam o seu pior. Penso que nunca vi o outro lado nesta frase. A própria frase parece ser revestida de alguma negatividade e fatalismo. Como um fado na defensiva.

Depois aprendi que, de facto, o ser humano não muda, que a personalidade tem elementos fixos. No entanto, estamos claramente sob a influência do mundo externo, e por isso aprendi a frase: "as pessoas não mudam, adaptam-se". Numa relação a dois o tempo ensina-nos a flexibilizar as nossas opções, atitudes e comportamentos. E aqui é importante perceber aquilo que por vezes pode ser uma ténue diferença entre adaptação ao outro e perda de individualidade. No fundo não deixamos de ser nós, mas ao procurar a adaptação plena, ao procurar que o outro goste de nós, transformamo-nos naquilo que o outro quer. Por momentos deixamos de ter a nossa identidade. Mas ela está lá, não há se calhar mudança, há talvez uma amnésia selectiva de comportamentos. Uma escolha que se torna pesada com o tempo e uma pele difícil de despir. No lado saudável, uma boa adaptação pode promover uma grande harmonia que faz com que as pequenas coisas não se transformem em grandes batalhas.

Ontem ensinaram-me outra frase: "se as pessoas não mudam, mudamos nós". E mudar o quê? Simplesmente mudar a forma como lidamos com a não mudança do outro. E aqui podem existir tantas formas. A melhor é claramente encontrar paz dentro de nós e não permitir que as poluídas não mudanças do outro nos afectem. Se o outro continua no seu registo, se já gastámos as palavras a tentar fazer ver outros pontos de vista, se já tentámos ajudar vezes sem conta e os mesmos erros continuam a ocorrer, então é hora de aceitar. Mudamos a nossa perspectiva, aceitando que o outro é como é. Aceitar a sua infelicidade, os seus insucessos e permitir que eles fiquem com o seu dono que, aparentemente, não se quer livrar deles, ou ainda não está preparado para o fazer Se calhar o medo de ficar vazio é tão grande que assim sempre têm alguma coisa, já pensaram nisso?

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

As pequenas coisas boas da vida

O meu filho sorri. Já abre bem a boca e ri com os olhos. Mostra a sua boa disposição, mesmo que lá fora esteja a chover logo pela manhã. As manhãs são dele. É um bem disposto pela fresca mas no quentinho dos lençóis de flanela. O meu filho é mais do que flanela, é como aquele tecido polar, que tem um nome fresco que nada condiz com o seu calor. Sim, o meu filho é mais do que flanela, mais do que ouvir a chuva lá fora com o quentinho cá dentro. É a soma de todas as sensações de calor interior, exterior e de conforto. Aquele conforto simples, sabem? A felicidade está mesmo nas coisas simples. Nos pequenos confortos, nos pequenos momentos, nos pequenos bocejos e nas pequenas formas de estarmos juntos. É isto.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Beijos e queijos

Fizeram um estudo sobre beijos. As conclusões são dramáticas: num beijo de 10 segundos podemos transferir entre beijantes, qualquer coisa como 80 milhões de bactérias. Mais: na nossa boca existem mais de 700 tipos diferentes de bactérias!

Fiquei também a saber que os beijos já são muito antigos e que no Império Romano existiam três tipos de beijos, consoante a pessoa com quem era partilhado. Existia o basium, que era o beijo dado entre conhecidos. Qualquer coincidência com a palavra básico é pura divagação. Existia também o osculum, que era o beijo (ou ósculo que aqui fica tão bem) entre amigos. O beijo arrebatador, o dos amantes tinha um nome pouco pecaminoso, era denominado de suavium.

Ainda assim, durante o resto da história, o beijo não tem essa conotação romântica que lhe impomos, diz que isso é uma coisa do mundo moderno. Antigamente o beijo era apenas mais uma forma de diferenciar as hierarquias sendo usado para prestar respeito e vassalagem. Eu não acredito que no escurinho da intimidade não existissem mais beijos. Eu espero que sim.

O beijo está em todo o lado, até no lado mais sombrio. Se pensarmos um pouco até nos lembramos do beijo de Judas, o beijo da traição. Não se sabe bem o que terá acontecido, mas ficou associado a um acto de amizade que na verdade não o é. E o que será que aconteceu?

O beijo é um gesto de afeição, pelo menos no mundo ocidental, e é bastante comum (esperemos) numa relação de casal. No início é vê-los quentes e molhados, linguarudos e compridos. Com o passar do tempo, se o permitirem, passam a ser um toque entre lábios, algo mais suave do que o suavium. É isto que convém combater, é importante incentivar a partilha de micróbios!

A pergunta que se impõe é: já partilhou bactérias hoje?

Imagem: http://www.comobeijarbem.com.br/dicas-como-beijar/dicas-de-como-beijar/

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Novembro

Imagem: http://www.culturalivre.net/2008/04/13/trilhas-da-vida/arvores-outonojpg/